Trump diz que EUA vão comandar a Venezuela após captura de Maduro

Os Estados Unidos realizaram uma série de bombardeios contra alvos militares na Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, removido do país para responder a acusações de narcoterrorismo na Justiça norte‑americana, enquanto o presidente Donald Trump declarou que os EUA irão “administrar” a Venezuela até que seja construída uma transição considerada segura de poder.

Trump diz que EUA vão comandar a Venezuela após captura de Maduro
Explosões em Caracas após bombardeios dos EUA contra alvos militares venezuelanos; Nicolás Maduro foi capturado e levado para julgamento nos Estados Unidos/Fotos: Reprodução X e Redes sociais
Trump diz que EUA vão comandar a Venezuela após captura de Maduro
Trump diz que EUA vão comandar a Venezuela após captura de Maduro

Os Estados Unidos lançaram na madrugada deste sábado (3) uma série de bombardeios contra alvos militares na Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que foi levado para fora do país para responder a acusações de narcoterrorismo na Justiça norte-americana.

Em declaração pública, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA irão “administrar” a Venezuela até que seja possível implementar uma transição considerada segura e “judiciosa” de poder.

Explosões foram registradas em diferentes pontos de Caracas, incluindo instalações militares estratégicas, durante uma operação de grande escala conduzida por forças norte‑americanas.

Testemunhas relataram estouros sucessivos, colunas de fumaça e quedas de energia em áreas da capital, enquanto aviões sobrevoavam a baixa altitude.

Segundo o governo dos Estados Unidos, a ação culminou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por uma unidade de elite do Exército norte‑americano, que os removeu do território venezuelano em coordenação com agências de segurança dos EUA. Autoridades norte‑americanas informaram que o casal deverá responder em tribunais de Nova York por crimes ligados ao narcotráfico e ao chamado “narcoterrorismo”.

Em Caracas, o governo venezuelano declarou estado de emergência e mobilizou as forças armadas após os ataques, ao mesmo tempo em que exigiu das autoridades norte‑americanas provas de que Maduro está vivo. A vice‑presidenta Delcy Rodríguez afirmou em mensagem oficial que o país está “pronto para se defender” e denunciou a operação como violação grave da soberania venezuelana.

Enquanto isso, setores da oposição que já contestavam a legitimidade de Maduro desde a eleição de 2024 acompanham os desdobramentos, em meio à incerteza sobre quem assumirá de fato o comando político do país.

A comunidade internacional, por sua vez, cobrou explicações sobre a base legal dos bombardeios e da remoção de um chefe de Estado em exercício, reavivando comparações com a captura de Manuel Noriega, no Panamá, em 1990.

Em pronunciamento à imprensa na Flórida, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos irão “dirigir” a Venezuela “até que se possa fazer uma transição segura, adequada e judiciosa”. O presidente norte‑americano alegou que o objetivo é impedir que outro líder, eventualmente alinhado ao projeto de Maduro, reassuma o poder e reproduza a mesma crise política e econômica.

Trump não detalhou, porém, como se dará essa administração temporária nem por quanto tempo os EUA pretendem permanecer à frente das principais decisões no país vizinho. Ele indicou, por outro lado, que grandes empresas de petróleo norte‑americanas estão prontas para investir na recuperação da infraestrutura energética venezuelana, afirmando que os custos da operação seriam cobertos pela própria exploração de recursos naturais do país.

Especialistas e organizações internacionais levantaram dúvidas sobre a legalidade da ofensiva, que foi implementada sem consulta pública clara ao Congresso dos Estados Unidos e sem autorização de organismos multilaterais como a ONU. Críticos avaliam que a intervenção pode criar um precedente perigoso ao legitimar a remoção militar de líderes em exercício sob o argumento de combate ao terrorismo ou ao narcotráfico.

Países da região e potências globais acompanham com cautela a escalada da crise, temendo riscos de desestabilização na América do Sul, impactos no mercado de petróleo e novos fluxos migratórios a partir da Venezuela. Ao mesmo tempo, aliados tradicionais de Washington veem na prisão de Maduro a oportunidade de redefinir a agenda política venezuelana, desde que a prometida transição seja conduzida de forma segura e negociada com atores internos e externos.