Julgamento do caso Henry Borel entra no segundo dia com depoimentos marcados por acusações de omissão e contradições

Primeira sessão foi marcada por depoimento do delegado Henrique Damasceno, que afirmou que Monique Medeiros tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry; defesa nega envolvimento dos réus e sustenta ausência de provas diretas.

Julgamento do caso Henry Borel entra no segundo dia com depoimentos marcados por acusações de omissão e contradições
Delegado diz que mãe sabia das agressões a Henry no 1º dia de julgamento. Foto: Reprodução internet/Pinterest

Cinco anos após a morte do menino Henry Borel, teve início nesta semana, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o julgamento de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, acusados pela morte da criança, ocorrida em março de 2021. A primeira etapa do júri foi marcada por depoimentos considerados decisivos para a acusação, especialmente o do delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso.

Durante sua oitiva, Damasceno afirmou que as investigações apontaram que Monique tinha ciência das agressões sofridas pelo filho e optou por não agir para protegê-lo. Segundo o delegado, mensagens recuperadas pela polícia mostram que a mãe foi alertada sobre episódios anteriores de violência atribuídos a Jairinho, incluindo relatos enviados pela babá da criança sobre lesões e mudanças de comportamento de Henry. Para a acusação, esses elementos reforçam a tese de omissão deliberada por parte da mãe e sustentam a denúncia de homicídio qualificado.

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Ao depor, o delegado também relatou inconsistências encontradas nos depoimentos prestados pelo casal logo após a morte do menino. Segundo ele, as versões apresentadas por Monique e Jairinho teriam sido combinadas previamente e não resistiram ao cruzamento com laudos periciais, registros de câmeras e exames do Instituto Médico-Legal, que identificaram múltiplas lesões incompatíveis com a versão inicial de acidente doméstico.

A defesa dos réus rebateu as acusações e negou qualquer participação de ambos na morte da criança. Os advogados sustentam que não há prova direta capaz de comprovar autoria e tentam desqualificar parte das conclusões da investigação, especialmente no que diz respeito à interpretação das mensagens e dos laudos técnicos. A estratégia defensiva também inclui questionamentos sobre a condução da apuração policial e a validade de alguns elementos periciais apresentados pela acusação.

Além de Henrique Damasceno, o primeiro dia também teve oitiva de peritos e profissionais que atuaram diretamente no atendimento e investigação do caso. A expectativa é que, nos próximos dias, sejam ouvidas testemunhas centrais, como a babá de Henry e outras pessoas próximas à rotina da criança, cujos relatos podem reforçar ou contestar a versão apresentada pelo Ministério Público.

O julgamento, considerado um dos mais emblemáticos do país nos últimos anos, mobiliza familiares, representantes da Justiça e manifestantes que acompanham o caso desde 2021. O pai de Henry, Leniel Borel, acompanha presencialmente as sessões e voltou a pedir justiça pela condenação dos responsáveis. A previsão é que o júri se estenda pelos próximos dias, até que réus e testemunhas sejam integralmente ouvidos e os jurados possam decidir o desfecho do processo.