Piloto suspeito de comandar rede de abuso sexual infantil é demitido pela Latam

O piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, 60, preso em São Paulo por suspeita de liderar uma rede de abuso sexual infantil, foi demitido da companhia aérea Latam.

Piloto suspeito de comandar rede de abuso sexual infantil é demitido pela Latam
Piloto é preso dentro de avião no aeroporto de Congonhas suspeito de manter rede de abuso sexual infantil. Segundo as investigações, ele levava para motéis menores de idade com documento falso. Uma mulher de 55 anos também foi presa acusada de aliciar as próprias netas. Foto: Reprodução/TV Globo / Estadão

O que aconteceu?

A companhia aérea afirmou que Sérgio "não faz mais parte do seu quadro de colaboradores". Em nota, a Latam acrescentou que adota a política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem os seus valores, ética e código de conduta, e disse que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Sérgio passou por audiência de custódia ontem, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, não foram identificadas irregularidades no cumprimento do mandado de prisão contra o piloto. Por isso, ele seguirá preso.

Homem foi acompanhado por advogado constituído durante a audiência. Procurada pela reportagem, a defesa de Sérgio não quis se manifestar.

Processo tramita sob segredo de Justiça. Em razão disso, de acordo com o Judiciário paulista, mais informações não poderiam ser repassadas.

Entenda o caso

Homem foi preso dentro de aeronave, no aeroporto de Congonhas, durante o embarque de passageiros, na manhã de segunda-feira. Ele é suspeito de abusar sexualmente de crianças que seriam "vendidas" pela avó, uma mulher de 55 anos, que também foi presa. A mãe de outra criança também foi detida, segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves.

Ele participava dessa rede de exploração havia pelo menos oito anos, segundo a Polícia Civil. O homem chegou a pagar um aluguel em troca de imagens de exploração sexual. "Ele mandava Pix de R$ 50, R$ 100, chegou a pagar um aluguel por imagens que ele recebia", afirmou Ivalda Aleixo, diretora do DHPP-SP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa de São Paulo), em entrevista coletiva.

Piloto fez ao menos três vítimas, que são irmãs: meninas de 10, 12 e 18 anos —uma delas era abusada desde os 8 anos, de acordo com a polícia. Elas eram levadas a motéis pelo homem, que usava documentos falsos, segundo a polícia. Uma das vítimas foi espancada por ele em um motel na semana passada.

Ao menos dez vítimas foram identificadas. Conforme a polícia, no entanto, são "dezenas de outras", uma vez que o celular dele foi aberto com autorização judicial.

Outras duas pessoas são investigadas pela polícia na operação chamada de Apertem os Cintos. Os investigados podem responder por estupro de vulnerável, favorecimento de prostituição e exploração sexual de criança de adolescente.

O veículo usado por Sérgio, uma Mercedes-Benz, foi apreendido pela polícia e passou por perícia. O automóvel foi devolvido à família após realização de perícia.

UOL